Laser: uma luz poderosa para a odontologia

Pesquisas têm comprovado que o laser apresenta uma infinidade de aplicações em diversos procedimentos odontológicos de baixa e alta complexidade. Mas, por ser uma técnica relativamente nova, ainda gera dúvidas quanto à sua aplicabilidade no dia-a-dia do consultório

Resultado dos princípios inicialmente formulados por Albert Einstein, quando em 1917 ele lançou as bases teóricas para a produção de uma luz não espontânea na natureza, o laser, hoje, tem vasta aplicabilidade em diversas áreas da ciência. Dentro da Odontologia, pode ser considerado um instrumento especial, uma vez que tem inúmeras aplicações em diversas especialidades. Utilizado em vários tratamentos como uma boa opção terapêutica, o laser também pode ser usado em associação com outras técnicas de tratamento convencionais como elemento coadjuvante. Tido como um excelente aparato cirúrgico, o laser ainda oferece vantagens como a fotocoagulação e minimização de efeitos de contaminação.

Apesar de ser uma técnica relativamente nova dentro da Odontologia, especialistas afirmam categoricamente que o laser tem um grande potencial de uso dentro de todas as especialidades odontológicas. “Apesar de já estarmos usando o laser há um certo tempo na Odontologia, podemos afirmar, sem medo algum, que estamos longe de ter explorado toda a potencialidade desse instrumento. Há um grande domínio de terapias ainda pouco exploradas dentro da Odontologia e também grandes oportunidades na área de diagnóstico, que ainda encontram-se na sua infância. Além disso, pode estar no laser o caminho para solucionar problemas sérios enfrentados pela Odontologia atualmente, como as infecções periodontais, antibióticos-resistentes e outras infecções bucais. Em especial, novas tecnologias fotobactericidas constituem avanços importantes que a Odontologia moderna deverá experimentar”, afirma Vanderlei Salvador Bagnato, coordenador do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica do Instituto de Física da USP de São Carlos. Ele ainda completa que é difícil ver uma especialidade odontológica na qual o laser não possa entrar como elemento terapêutico ou como elemento de diagnóstico e controle.

Para Antonio Pinheiro, secretário-geral da WALT – World Association for Laser Therapy e professor da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia, o laser tem se mostrado muito atrativo sob diversos aspectos, principalmente porque os pacientes têm buscado profissionais que usem técnicas menos invasivas. “Somando-se a isso, o constante desenvolvimento de novos comprimentos de onda com aplicabilidade clínica é altamente promissor para a Odontologia”, diz ele.

Carlos de Paula Eduardo, diretor da Faculdade de Odontologia da USP e coordenador do LELO (Laboratório Especial de Laser em Odontologia), faz apenas um pequeno, mas importante alerta: “Pode-se dizer que em todas as especialidades da Odontologia os lasers de alta e/ou baixa potência podem ser utilizados, sendo, na maioria das vezes, coadjuvante ao tratamento convencional. No entanto, deve-se ressaltar que, como qualquer nova tecnologia, os aprimoramentos dos equipamentos bem como os achados clínicos e laboratoriais exigem uma atualização constante dos profissionais da área de saúde que utilizam os lasers.”

Luciano Artioli Moreira, que é professor responsável pela disciplina de Clínica Odontológica Integrada da Unicsul e presidente da Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas – ABCD, destaca que os avanços científicos comprovam a importância do laser no dia-a-dia do Cirurgião-Dentista, tanto na prática da clínica geral como nas diversas especialidades. “O número de profissionais que usa laser não é pequeno. Porém, apesar de todos os benefícios comprovados pela ciência e custos acessíveis, infelizmente ainda existem muitos profissionais que permanecem à margem desses avanços. E, hoje, quem desconhece as indicações do laser no dia-a-dia do profissional, já está desatualizado”, afirma ele.

Veja abaixo alguns exemplos das possíveis aplicações do laser em algumas especialidades odontológicas:

Dentística: preparo cavitário, redução microbiana pós-preparo cavitário, prevenção de cárie dental, diagnóstico da cárie, condicionamento de esmalte e dentina, hipersensibilidade dentinária e clareamento dental.

Endodontia: redução microbiana intra-radicular, cirurgia periapical, controle da sintomatologia dolorosa pós-pulpectomia, pós-pulpotomia e pós-cirurgia paraendodôntica.

Periodontia: redução microbiana em bolsa periodontal, gengivectomia, gengivoplastia, remoção de manchas melânicas, plastia gengival e pós-operatório.

Medicina oral: prevenção e tratamento da mucosite oral em pacientes submetidos a altas doses de radioterapia e quimioterapia, bem como nos pacientes submetidos a transplante de medula óssea.

Prótese dental: aumento de coroa clínica, redução microbiana pré-cimentação, remoção de tecido de granulação pré-moldagem, afastamento gengival, soldagens de próteses.

Cirurgia: biomodulação – diminuição do processo de reparação tecidual em aftas, herpes etc., frenectomia labial e lingual, remoção de lesões proliferativas (granuloma, hiperplasia inflamatória e outras), remoção de lesões benignas (hemangioma, fibroma, linfangioma e outras).

Implante dentário: aceleração do processo de reparação óssea, redução microbiana em periimplantite, melhora da cicatrização, abertura da segunda fase cirúrgica, pós-operatório.

Ortodontia: controle das aftas, controle da sintomatologia dolorosa, aceleração do processo de reparação do tecido ósseo.

Fonte: APCD

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